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    Doenças Fúngicas dos Peixes Ornamentais

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    JARD
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    Doenças Fúngicas dos Peixes Ornamentais

    Mensagem por JARD em Qua 16 Maio 2012, 16:29

    Destaque especial (círculo) para a família Saprolegniaceae onde encontram-se os 3 gêneros de fungos externos de maior significância: Saprolegnia, Achlya e Aphanomyces. Fonte: D. W. Bruno & B. P. Wood

    Guia Ilustrado das Principais Enfermidades Fúngicas dos Peixes Ornamentais
    Por Rodrigo G. Mabilia - Médico Veterinário


    As doenças fúngicas que acometem os peixes ornamentais apresentam grande relevância. Os fungos podem ser causa primária de uma doença, assim como podem fazer o papel de agentes oportunistas. A segunda situação (agente oportunista) é sem dúvidas a mais freqüentemente observada no aquarismo. Ocorre sempre quando os peixes estão debilitados enfrentando uma situação de estresse mediada por uma inadequada qualidade de água e alimentação deficiente. No aquarismo, há ainda uma idéia predominante de que as doenças fúngicas tem um aspecto de tufos de algodão e que estes ocorrem na superfície do corpo dos peixes. É uma verdade incompleta ! Existem sim doenças fúngicas que podem ser diagnosticadas no exame visual por esta interessante característica de tufos de algodão, mas há também infecções fúngicas sistêmicas. As infecções fúngicas sistêmicas possuem alta atogenicidade e apresentam uma maior taxa de mortalidade.


    Há ainda uma confusão frente uma outra doença: as infestações por protozoários Sessilidas, tendo o Epystilis um dos principais representantes. A Epistiliose (doença causada por este protozoário) é muito freqüente no aquarismo e seus sinais clínicos (tufos esbranquiçados na superfície do corpo) diversas vezes são interpretados erroneamente como doença fúngica.


    Espero poder trazer informações novas neste modesto artigo. Acredito que seria possível, aqui neste espaço, expor novos conceitos teóricos e práticos sobre as doenças fúngicas que ainda não vejo serem empregados no aquarismo. Vamos lá...

    Considerações sobre os Fungos
    Os fungos são classificados basicamente em saprófitas e parasitas. Os saprófitas correspondem aos fungos de vida livre que alimentam-se da matéria orgânica existente no ambiente. Já os parasitas são aqueles que se alimentam as custas de um hospedeito. Há exceções. Existem fungos parasitas facultativos, assim como existem fungos saprófitas facultativos.
    Existem 3 considerações genéricas importantes a fazer relacionadas as doenças fúngicas:
    1a as doenças fúngicas acometem todas as espécies de peixes ornamentais sem diferenças no grau de especificidade.
    2a os peixes debilitados e imunodeprimidos são o maior alvo.
    3a representam um grande problema para ovos incubados.

    Na figura acima, relacionamos as principais doenças fúngicas, seus agentes causadores e o local de infecção.
    Agente: Saprolegnia...............Doença: Saprolegniose...............Local Infecção: Tegumento, Nadadeiras, olhos e Brânquias
    Agente: Achlya...............Doença: sem denominação técnica...............Local Infecção: Tegumento, Nadadeiras, olhos e Brânquias
    Agente: Aphanomyces...............Doença: Afanomicose...............Local Infecção: Tegumento, Nadadeiras, olhos e Brânquias
    Agente: Branchiomyces...............Doença: Branquiomicose...............Local Infecção: Brânquias Agente: Exophiala...............Doença: Exofialose...............Local Infecção: Sistêmico
    Agente: Ichthyophonus...............Doença: Ictiofonose...............Local Infecção: Sistêmico

    Transmissão: a transmissão das doenças fúngicas ocorre de forma direta entre peixes e ovos contaminados. A liberação de zoosporos na água permitem uma rápida disseminação da doença num cardume. A temperatura e a quantidade de matéria orgânica também contribuem para a reprodução e rápida disseminação dos fungos no ambiente aquático.
    Fatores Predisponentes: sabemos que os peixes estão continuamente expostos aos fungos presentes no ambiente aquático. A presença de matéria orgânica mais uma vez é apontada como um dos fatores predisponentes. Há ainda influência da temperatura da água. Existem espécies de fungos que causam doença em águas quentes, enquanto outras causam doença em águas mais frias.
    No gênero saprolegnia, por exemplo temos a S. diclina mais evidente no inverno, enquanto a S. ferax ocorre predominantemente no outono e primavera.
    Sinais Clínicos: os sinais clínicos das doenças fúngicas externas correspondem aos tão referenciados tufos de algodão. Estes tufos podem ser localizados na pele, nas nadadeiras, na cabeça e boca. Não há desta forma uma região de preferência significativa para o parasitismo. As lesões na pele são inicialmente acinzentadas e/ou brancas. No caso de infecções mais severas o fungo pode atingir até 80% da superfície do corpo dos peixes. Muitas vezes ocorrem erosões graves que atravessam a epiderme até atingirem a derme. Assim, temos muito freqüentemente infecções fúngicas e infecções bacterianas simultâneas. Os peixes infectados apresentam letargia e perda do equilíbrio durante o nado. É muito importante tomar os devidos cuidados com lesões decorrentes de brigas e/ou captura, pois estas consistem em verdadeiros locais de fixação e constituição da colônia fúngica.
    Disfunção Osmorregulatória: um dos primeiros transtornos fisiológicos causados pelas doenças fúngicas é o desbalanço osmótico do organismo. Este ocorre pela perda da integridade da pele e destruição tecidual em virtude da penetração das hifas dos fungos. A morte do hospedeiro ocorre pela alteração da pressão osmótica com a perda de íons e hemorragias.
    Atividade Enzimática: os fungos da família Saprolegniaceae (Achlya, Saprolegnia e Aphanomyces) possuem enzimas proteolíticas ativas que contribuem com a patogenicidade destes agentes. Estas enzimas promovem a destruição do epítelio para permitir a penetração e fixação das hifas dos fungos.
    Imunologia: a manifestação de doença fúngica nos peixes está relacionada ao estado de imunodepressão. Imunodepressão esta mediada uma condição fisiológica de estresse. É muito comum o surgimento de infecção fúngica em´após períodos de queda de temperatura, ou que ocorram grandes oscilações. Condição ambiental esta que ocorre, muito frequentemente na prática, com o Beta Splendens. Diversos estudos, sob condições controladas, demonstraram uma alta relação entre a baixa imunidade e os decréscimos da temperatura da água como resultantes na manifestação de doença causada por fungos.

    Visualização de regiões delineadas (círculos) e seta indicando a presença de colônias de fungos. Aspecto bem característico de tufos de algodão ainda em fase inicial.

    Diagnóstico: o diagnóstico de doença fúngica é relativamente fácil para os casos de doença fúngica externa. Para as doenças fúngicas sistêmicas requer exames mais apurados. É muito importante realizar um diagnóstico diferencial para protozoários Sessilidas (Epistylis, por exemplo). Fica o alerta também para os novatos que freqüentemente confundem manchas esbranquiçadas causadas por outros protozoários com doença fúngica, propriamente dita. Na dúvida é sempre melhor procurar orientação técnica, uma vez que, os tratamentos para doença fúngica são diferenciados sobre os tratamentos de doenças causadas por protozoários. Exame Clínico - no exame clínico (visualização a olho nu) observa-se tufos de algodão bem característicos e manchas esbranquiçadas com um aspecto gelatinoso em alto relevo.


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